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2026-10-01 · 4 min de leitura

Break-even do hotshot: a conta por milha do 3-car wedge

Break-even do hotshot: a conta por milha do 3-car wedge
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Todo mundo fala em RPM alto. Quase ninguém sabe qual é o RPM em que começa a ganhar dinheiro. Esse número tem nome: break-even. É o custo por milha que a carga precisa cobrir só pra você não sair do bolso. Enquanto você não souber o seu, todo rate que o broker oferece é um chute — e chute no hotshot custa caro.

O que é o break-even, de verdade

Break-even é a soma de tudo que roda o caminhão, dividida pelas milhas que você roda. Não é o rate que você quer. É o piso: abaixo dele, você está pagando pra trabalhar. Dá pra separar em dois blocos.

Custo fixo (paga mesmo parado). Truck payment ou lease, os três seguros do car hauler (cargo, auto liability, general liability), ELD, plates, IFTA, UCR e o Form 2290, estacionamento, telefone/software. Isso não muda se você roda 5.000 ou 9.000 milhas no mês — mas o custo por milha despenca quanto mais você roda.

Custo variável (paga por milha rodada). Diesel é o rei aqui. Depois vem a reserva de manutenção — pneu, freio, óleo, inspeção 396.17 — que não é emergência, é centavo por milha que você guarda antes de precisar. Tolls entram aqui também.

A conta do 3-car wedge, passo a passo

Aqui vai o método, sem número inventado. Cada linha você preenche com o seu número real.

Fixo por milha = soma dos fixos do mês (payment + os três seguros + compliance + parking) ÷ milhas rodadas no mês. Repara no efeito: rodar 6.000 milhas em vez de 8.000 faz o mesmo fixo pesar um terço a mais em cada milha. Por isso deadhead te mata duas vezes: gasta diesel e ainda dilui o fixo em milhas que não pagam.

No variável, a conta do diesel é preço do galão ÷ consumo. Um dually puxando 3-car wedge carregado faz uns 9–11 mpg. Use o preço que você pagou no último fill (ou a média semanal do EIA) e o mpg real do seu caminhão. Some a reserva de manutenção por milha e os tolls. Isso é o seu variável por milha.

Break-even por milha = fixo por milha + variável por milha. Esse é o número só pra empatar — e ele ainda não pagou o seu salário. O rate tem que ficar confortavelmente acima disso, não colado.

O que muda pra você

Sabendo o break-even, o load board deixa de ser loteria. Aquele rate "bonito" de leilão que exige 180 milhas de deadhead pra chegar no carro? Você recalcula o RPM real dividindo o pagamento pelas milhas totais (loaded + deadhead), compara com o seu piso, e decide em 30 segundos — sem emoção, sem "vai que compensa".

E o mais importante: você para de comparar o seu rate com o do gringo do grupo de WhatsApp. O break-even dele não é o seu. Ele pode ter o caminhão quitado e seguro mais barato; você pode ter lease novo. O único número que decide se a carga vale é o seu custo por milha.

Na prática

Monte a planilha uma vez: some os fixos do mês, divida pela sua média real de milhas dos últimos 90 dias. Refaça a cada troca de seguro ou de payment.

Trave a reserva de manutenção como custo, não como sobra: separe os centavos por milha antes de gastar, não quando o pneu estoura no meio da I-35.

Antes de aceitar, calcule o RPM sobre milhas totais (com deadhead). Se ficar colado no break-even, o load está pagando o caminhão, não você — a folga que você exige acima do piso é o seu salário.

Sabe o seu break-even de cor? Se hesitou, é aí que o dinheiro está vazando. Montamos o passo a passo dessa conta no guia — leva 20 minutos e muda como você lê o board pra sempre.

Não somos transportadora nem broker. A conta é sua, com os seus números; resultados variam por motorista, mercado, equipamento e temporada.

Fontes

EIA — Weekly Retail On-Highway Diesel Prices

FMCSA — UCR / registro e taxas do owner-operator

IRS — Form 2290 (Heavy Highway Vehicle Use Tax)

FMCSA — 49 CFR 396.17 (inspeção periódica)

DispatchAI Agency: https://www.dispatchaiagency.com

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